As importações de arroz com ou sem casa pelo Brasil aumentaram fortemente neste mês, até a segunda semana, na comparação com a média diária registrada em setembro completo de 2019, segundo informações divulgadas pelo Ministério da Economia, nesta segunda-feira (14).
Já as importações de arroz “sem casa ou semi elaborado, polido, glaceado, quebrado, parbolizado ou convertido” somaram 3,3 mil toneladas ao dia, alta de 14,74% ante a média do mesmo mês do ano passado, acumulando um total de 26,7 mil toneladas até a segunda semana.
As importações cresceram em meio a expectativas de que o governo poderia isentar uma cota de tarifa, o que acabou se confirmando, e diante de preços recordes no mercado nacional acima de 100 reais a saca de 50 kg no Rio Grande do Sul, conforme indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), valor que representa mais que o dobro do visto no mesmo período do ano passado.
Câmbio e aumento do consumo
Em agosto, as importações pelo Brasil ainda foram 46% mais baixas frente o mesmo período do ano passado, para 44 mil toneladas, de acordo com dados do Ministério da Agricultura. Enquanto isso, no acumulado dos oito primeiros meses do ano, as aquisições tinham caído 17,2%, para 417 mil toneladas.
A queda nas compras externas até agosto, assim como fortes exportações de arroz pelo Brasil, impulsionadas pelo câmbio, além do aumento do consumo nos lares durante a pandemia, estão entre os fatores para a alta nos preços do cereal este ano.
Entre os principais fornecedores de arroz ao Brasil estão os países do Mercosul, mas com o câmbio desfavorável esses negócios tinham sido menos intensos até o mês passado.
A cota sem tarifa é vista pelo governo como uma forma de aliviar os preços para os consumidores.
Procurada, a Associação Brasileira da Indústria de Arroz (Abiarroz) não retornou pedidos de comentários sobre importações.
Grandes empresas nacionais, como Camil e Tio João, preferiram não comentar o assunto.
A cota sem tarifa representa cerca de 35% das importações brasileiras totais projetadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para o ano.
Por Reuters
Fonte: g1.globo.com
