O Brasil nunca produziu tanto petróleo. As estimativas do mercado hoje são de que o ano de 2021 termine com produção média de 2,9 milhões de barris por dia, e chegue a 3,4 milhões por dia no ano que vem. Até há pouco, a expectativa era de que esse nível só seria alcançado em 2025.
Também nunca exportou tanto como nos últimos dois anos.
A razão disso, naturalmente, é o sucesso do pré-sal, que hoje representa 72% de toda a produção nacional.
O pré-sal não apenas se mostrou real, como maior ainda do que se esperava, e os obstáculos para a extração de petróleo a tamanha profundidade foram superados com maestria pela Petrobras.
Apesar da produção recorde, porém, os preços dos combustíveis nunca foram tão elevados no Brasil, e isso num momento dramático da economia, com desemprego alto, negócios fechando e perspectivas sombrias para a juventude.
Uma das razões para os altos preços do combustível é a mudança abrupta da política da Petrobras, após a Lava Jato, desistindo de investir em novas refinarias, e mesmo parando de reformar aquelas que já existem.
Essa decisão fez com que o processamento (refino) de petróleo permanecesse estagnado, ou mesmo em declínio, a partir de meados de 2014, após o início de uma leve alta nos anos de 2012 a 2013. O consumo, por sua vez, cresceu nos últimos anos, embora não muito, em função da crise econômica.
Houve um descolamento entre o consumo de petróleo no país e o seu processamento, o que iria obrigar o país a aumentar dramaticamente as importações, em especial de diesel, que é o principal combustível usado no transporte de cargas.
As importações de diesel nos últimos dois anos foram as maiores da nossa história. Nos anos de 2010 a 2014, também houve um crescimento das compras de diesel, mas por outros motivos: a economia cresceu de maneira muito forte nesse período, e a exploração do pré-sal ainda estava começando a dar resultados.
O presidente Jair Bolsonaro, em live na quinta-feira (21), disse que uma das razões para o preço elevado do diesel é o percentual significativo que é importado, em torno de 25%.
Neste caso, os principais ganhadores das decisões tomadas pela Petrobrás após 2016 tem sido as refinarias norte-americanas, de onde tem vindo quase todo o diesel importado pelo Brasil nos últimos anos.
Nos últimos 5 anos, o Brasil transferiu, apenas para refinarias norte-americanas, um total de R$ 122 bilhões, para importar diesel. Esse valor foi convertido pelo câmbio de 21 de outubro de 2021, que foi de R$ 5,668.
Bom lembrar ainda que, por acaso, exatamente nesse período, que vai de 2013 a 2016, os Estados Unidos precisavam encontrar mercados para o seu diesel, após a Casa Branca liberar a produção do Alasca e autorizar a exploração de petróleo de xisto, no sul do país. Em poucos anos, os EUA voltaram a ser o maior produtor de petróleo do mundo, e precisavam exportar seus excedentes. Neste cenário, seria extremamente desagradável que o Brasil construísse refinarias e, ao invés de ser um importador líquido de diesel e de outros derivados de petróleo, se tornasse um exportador, concorrendo com as refinarias norte-americanas.
